Sean Penn e Kevin Bacon em "Sobre meninos e lobos" (2002)1- Clint Eastwood. Não bastou "Sobre meninos e lobos", talvez sua obra-prima - ao lado de "Os imperdoáveis" (1992). Ainda faria "Menina de ouro", que nasceu clássico. Estudaria os dois fronts da guerra e o valor da imagem em "A conquista da honra" e "Cartas de Iwo Jima". Não satisfeito, remeteria a sua própria trajetória, de modo violentamente doce, em "Gran Torino". Um intérprete indispensável de seu tempo e seu país.
2- Joel e Ethan Coen. Entraram consagrados, sairiam do decênio não apenas oscarizados com o impactante "Onde os fracos não têm vez", mas no auge da maturidade com o remake de "Bravura indômita"; sem deixar o cinismo, o humor negro, e a obsessão por decifrar os códigos da América, da antiga e interiorana, até a recente e consumista de "Queime depois de ler".
3- Terrence Malick. Na década, filmou "O novo mundo". Mas "A árvore da vida", de 2011, é seu ponto forte. Se deixou dúvidas sobre seu sentido, sobre o suposto exagero, fomentou uma discussão fortíssima em torno da obra, à altura de sua expectativa. E mais uma vez alçou o seu cinema no terreno da metafísica, buscando por detrás de maya o sentido último da vida. Uma experiência raríssima.
4- Quentin Tarantino. "Kill Bill", ambos, para além da diversão e das referências, garantem o exercício de reflexão do cinema sobre si mesmo, num contexto cada vez mais fechado. E "Bastardos inglórios" viria para consagrar o esforço.
5- M. Night Shyamalan. Controverso, com dois "framboesas", castigado pela crítica. Mas é difícil não admirar o talento dos planos sequências de "Sinais" e "A vila". Também difícil ficar indiferente - ainda que para defenestrar - ao seu talento inato para a contemplação, numa seara cinematográfica no qual este termo é tabu. Alguém perguntaria, ao ler esta lista: Paul T. Anderson? Aronofsky? Christopher Nolan? Peter Jackson? Sam Mendes? ... Shyamalan, minha resposta.
6- Martin Scorsese. Dir-se-ia "imorrível". Além de "Os infiltrados", trouxe o curioso "O aviador", o vigoroso "Gangues de Nova York", ainda documentou Bob Dylan, os Rolling Stones e George Harrison. O último nome da geração rock & roll a tentar, ao menos, manter o estigma. Sem falar no medonho, angustiante, amargo e diabólico "Ilha do medo", seu momento mais original na década.
7- David Cronenberg. Muito se estranhou que Cronenberg, autor canadense de "Gêmeos", "A mosca", "Scanners" deixasse seus efeitos de lado, ao realizar dois autênticos filmes de mestre: "Marcas da violência" e "Senhores do crime", ambos com Viggo Mortensen. Mas teria Cronenberg esquecido suas obsessões - o insólito da mente humana, a visão multifacetada da contemporaneidade, os ecos do pensamento pós-moderno, o drama da identidade, tão singulares em seu esforço artístico? Seus filmes recentes deixam claro que não - e aguardamos seu recente trabalho sobre C. G. Jung, Sigmund Freud e Sabine Spielrein, "A dangerous method".
8- Woody Allen. De dramas como "Match point", "Vicky Cristina Barcelona", até as comédias sutis de sempre: "Dirigindo no escuro", "Tudo pode dar certo". Entre a Europa e Nova York, atravessou mais uma década esbanjando independência e personalidade. Não é a toa que nomes antigos, como Coppola e Scorsese, já invejaram sua liberdade criativa.
9- Tim Burton. Outro nome controverso, mas com os ótimos "Peixe grande", "Sweney Todd" e "Alice"; sempre bom ver e rever seu mundo gótico, deslocado, romântico, de criaturas sem chão e referência, ora pendendo para certo niilismo cruel, ora para uma necessidade de compreensão e perdão - algo um tanto natalino, como seu Willy Wonka. E bom lembrar que é o autor dos dois "Batman" mais interessantes, nessa época de babação para Christopher Nolan.
10- Gus van Sant. Se em "Elefante" buscou a compreensão de um problema complexo através de um autêntico estudo sobre o universo e os padrões dos jovens (num filme experimental, com ecos nos trabalhos posteriores), apresentou seu melhor momento em "Milk", mostrando que sabe lidar bem com temas difíceis.
Foi uma listinha de última hora, devo estar esquecendo milhares de nomes. Talvez James Cameron, David Lynch, mesmo Brian de Palma, ou obras de animação, que foram tão marcantes, talvez como nunca antes - caso do belíssimo "Toy Story 3". Noutra hora, deixo uma nota sobre "10 cineasta dos últimos 10 anos além de Hollywood - pensei em Amos Gitai, Lars von Trier, o velho Godard, o velho Resnais, Luc e Jean-Pierre Dardenne etc. E filmes nacionais, também.
Feliz 2012!
16hs58

1 comentários:
Bela lista. Só trocaria Tarantino por Paul Thomas Anderson e daria um jeito de incluir Todd Haynes.
Cumprimentos cinéfilos e Feliz 2012!
O Falcão Maltês
Postar um comentário